quarta-feira, 15 de junho de 2011

TODOS SOMOS UM

Na janela de um quarto qualquer...
a visão de uma cidade noturna, litorânea.
Cidade acesa, linda...
Em cada luz uma casa, um bar, uma igreja, o que for, em cada luz há alguém.
Somos muitos quase todo o tempo.
Estamos entre muitos, irmãos, amigos, colegas de trabalho, marido, mulher, namorado ou namorada.
Somos muitos...... e somos somente um...
Nascemos um, vivemos um dentre muitos, e assim morremos: um.
Não temos ninguém e de ninguém somos.
Apenas somos de nós mesmos.
Amamos?
Não... Somos egoístas demais para amar.
Queremos... desejamos.... gostamos de estar juntos algumas vezes...
Nos acomodamos nas situações que não atrapalham.
Amamos?
Não... mas não deixamos de ter pequenos momentos de prazer gostoso.
Convivemos, isso sim, somos animais racionais e instintivos, precisamos conviver, conversar, tolerar algumas vezes, para nos sentirmos vivos e participantes de uma sociedade organizada...amada? Jamais.
Somos um, apenas um.
Porque se dissermos que amamos será apenas para justificar o que ganhamos, e para condenar à prisão deste sentimento, aqueles que "amamos".
Ah! sim. Porque amar é libertar, é viver o amor com doação, sem preço, sem ganhos...
Mas somos mesquinhos. "eu te amo se tu me agradas", " se fazes o que quero"... Grande engano achar que isso á amar.
Olho essa linda cidade e imagino quantos não estarão agora, sentindo essa solidão.
Solidão do abandono, do não querer saber, solidão de não ouvir o telefone tocar e alguém perguntar: tudo bem?, como estás?, ou apenas dizer: pensei em você, estou com saudades, posso te ver?.
A solidão de um afago nos cabelos, um abraço quente, um beijo cúmplice.
Ouço pássaros cantando, os carros buzinando, as sirenes tocando, muita gente na rua, mas...
toda a gente? Apenas um.
Somos apenas um, nunca seremos dois em um, mas apenas...um.
Poderíamos amar verdadeiramente, se não fôssemos egoístas demais querendo troca.
Amar é doação, é fazer o bem e com isso se sentir bem,
é dar prazer.... e sublimar com isso, é no momento ímpar do gozo, transcender juntos.
Amar é infinitamente, amar, amar, amar.............................
 Este poema foi escrito por mim: Nilcéia Regina Paradella, EM 01/12/2006, num momento de muita dor de uma solidão sem resposta, que hoje em 25/04/2011 completando 47 anos de idade compreendo que a resposta é DEUS, só com Ele não estamos sozinhos.